
Até pouco tempo atrás, Alan Wake, protagonista do thriller psicológico que leva o seu nome, não tinha muito do que se queixar. Autor de livros de sucesso, suas obras de ficção arrebataram fãs do mundo inteiro, fascinados pelas suas envolventes histórias de terror carregadas de suspense e fartos elementos que exploravam temas sobrenaturais. Porém, esse seu lado público e notório, apesar de estar marcado pelo recebimento de cobiçados prêmios literários e por uma popularidade sem precedentes, escondia uma faceta pouca conhecida de Wake.
Acometido por um rigoroso bloqueio criativo, há dois anos que ele não consegue encontrar inspiração para escrever o seu próximo romance. A pressão do editor para acelerar a entrega do trabalho igualmente contribuiu para fragilizar o seu bem-estar emocional, levando-o a ter pesadelos assustadores que misturam eventos dos seus próprios livros com a sinistra aparição de uma misteriosa entidade que insiste que ele siga as suas enigmáticas determinações.
Com o intuito de incentivar a sua criatividade, Alice presenteia Wake com uma máquina de escrever. Ela também sugere que ele visite um renomado médico da região, famoso por tratar de pacientes com problemas similares. Furioso por perceber que as férias não sairiam como previa, somado ao sufocante assédio dos fãs da região, Wake acaba tendo uma séria discussão com a sua esposa, deixando a rústica casa em que estão hospedados para pegar um ar fresco no jardim. O que ele não esperava era a provação que ainda estava por vir...
Esse último aspecto é particularmente interessante. Além de empregar armas convencionais e um potente sinalizador que causa impressionantes bolas de fogo, a mais importante aliada para manter-se vivo consiste no uso de uma simples lanterna. Isso mesmo. Como as entidades que perseguem Wake são sensíveis à claridade, para conseguir enfraquecê-las, será preciso lançar um feixe concentrado de luz até tirar "as forças da escuridão" que as guiam. E, claro, posteriormente terminar o serviço com alguns tiros de misericórdia.
Essa técnica é interessante por aumentar consideravelmente as opções para os combates. Está acuado por uma grande quantidade de criaturas, a ponto de não conseguir dar conta de todas ao mesmo tempo? Corra para uma região bem iluminada para dispersá-las. Deseja impedir o avanço desses seres para explorar com mais calma os arredores? Monte armadilhas que usem fontes de luz ou deixe ligados os holofotes que encontrar pelo caminho. As possibilidades são inúmeras, e empregá-las eficientemente é um fator crucial para concluir as suas missões sem correr maiores riscos.
Usando um formato inspirado nos episódios das séries de TV, em que cada um dos seis capítulos terminam com um gancho, outro fator que chama a atenção é o capricho da produção. Os cenários são detalhados e bem construídos, e os abundantes efeitos de luz imprimem uma realidade pouco vista em jogos do gênero. E mesmo que a narrativa esteja um tanto fragmentada, ela é desenrolada no ritmo certo, mantendo o clima de suspense que instiga a curiosidade ao longo de toda a aventura.
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